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  • Mateus Davi Pinto Lucio

Hierarquia das necessidades de Maslow

Atualizado: 26 de Ago de 2018


O americano Abraham Harold Maslow (1908-1970) ficou consagrado no ramo da psicologia humanista ao propor e desenvolver uma estrutura formal das necessidades humanas largamente respeitada e utilizada especialmente nos RHs das empresas até os dias de hoje.


A hierarquia das necessidades de Maslow pode ser resumida de uma maneira simples ao categorizar as necessidades humanas em diferentes níveis, de modo que as superiores só podem ser atingidas quando satisfeitas todas as demais que estão abaixo delas.


Os grandes grupos são classificados nesta ordem, dos menos aos mais importantes, como: as necessidades fisiológicas, a segurança, o amor e relacionamento, a estima, e,

finalmente, a realização pessoal.


Existem diversas variantes possíveis desta estrutura de necessidade e interpretações, focadas na vida pessoal, familiar, carreira, negócios etc., quais são especialmente úteis e interessantes ao analisarmos e buscarmos compreensão do comportamento e reações humanas, sob o prisma das condições do momento no caso em tela. Explico.


É difícil imaginar que uma pessoa esteja verdadeiramente preocupada ou engajada em atingir uma realização pessoal caso, no dia-a-dia, careça, por exemplo, de acesso a alimentos e abrigo. A pessoa não estando em condições de atender suas necessidades mais básicas, fisiológicas, não sem extrema dificuldade conseguiria empreender qualquer esforço para traçar um plano executável de velejar o Oceano Pacífico.


Não é razoável esperar que alguém tome alguma ação para realizar o sonho que for se sequer consegue um leito digno para dormir nas noites. Mal consegue dormir. Imagina se

consegue sonhar.


Essa percepção, vista grosseiramente, parece óbvia, mas se prova capciosa ao refletirmos sobre nossas expectativas sobre as pessoas que nos cerca, como nossos filhos, nossos

cônjuges, nossos colaboradores. Mas já chegaremos neste ponto.


A base da hierarquia das necessidades, portanto, são as fisiológicas, isto é: comer, beber, dormir, respirar etc. Se satisfeitas essas necessidades, a pessoa eleva suas aspirações

para a seguinte.


Segurança, isto é, se nos ambientes que o indivíduo é exposto a um nível aceitável de segurança física, material e, não obstante, psicológica. Apenas se a pessoa tiver um bom nível de tranquilidade em relação aos riscos físicos no seu trabalho, transporte e em casa; não precisar passar o dia aflito com medo de ser assaltado ou furtado; e não sofrer assédio ou traumas psicológicos; só assim, quando perguntado o que ela mais necessita no

momento, refletirá sobre necessidade superiores.


Uma vez que a pessoa não tem problemas importantes para dormir, se alimentar. Uma vez que não se preocupa diuturnamente com sua segurança física, material e psicológica. Aí o seu nível de necessidades passa a ser os relacionamentos, de amar e ser amado. Não se diz que a pessoa com problema para se abrigar não tenha também necessidade de carinho, mas ela não consegue se engajar e muito menos priorizar estas questões, e geralmente serão malsucedidas nelas. É preciso saciar a fome de comer para se ter fome de amor.


Satisfeitos com um certo nível de qualidade as necessidades afetivas da pessoa, ela passa a buscar Estima. Alguém bem resolvido em suas necessidades básicas, em segurança e emocionalmente, passa a aspirar mais autoconfiança, mais conquistas, a ser respeitado e desenvolve a capacidade de respeitar os outros naturalmente. São aquelas pessoas que, num dado momento, se fiam a realizar um curso extracurricular, fazer aquele MBA, aprender um idioma, focar na carreira, buscar mais. Suprimida a carência, a pessoa entre na vibe da conquista.


O último nível, qual, não diferente dos demais, só passa a figurar entre as necessidades da pessoa se satisfeita todas as anteriores, é o da realização pessoal. Típico daquelas pessoas que se embrenham em conhecer o mundo inteiro, escalar montanhas, decidir ser triatleta. Uma vez acumuladas as mais importantes conquistas, chega o momento da realização dos sonhos.


Ao esperar algo de nossos filhos, ao ajustar nossas expectativas em relação a eles, devemos nos perguntar seriamente se, primeiro, se damos as condições básicas para eles se alimentarem, dormirem bem. O alimento provido tem qualidade nutritiva, a cama que dorme tem qualidade ortopédica? Segundo, o ambiente escolar ou o bairro é estável, seguro e tranquilo, de modo que a criança ou jovem não seja assediado por colegas e adultos? Terceiro, ela recebe o devido carinho e atenção mínimos para se desenvolver afetivamente? Quarto, há as condições propícias para seu desenvolvimento intelectual? E

assim vai.


Livre adaptação, o mesmo vale para as empresas. Seu negócio provê um salário digno que propicia aos seus colaboradores condições de custear uma habitação e alimentação condizentes com o meio que vivem? O ambiente e meios de trabalho e transporte de seus funcionários são seguros em todos os sentidos? Há uma política de respeito, feedback e clima organizacional amistosos? A empresa viabiliza, seja em razão dos horários, localização ou incentivo, condições para que seus colaboradores possam se desenvolver na carreira?


O óbvio pode ser profundo. Chega a ser irônico observar muitas vezes grandes empresas esperarem o sangue de seus funcionários, dedicação integral, carinho e gratidão quando, no frigir dos ovos, sequer pagam um salário digno para que a pessoa custeie o aluguel de

seu apartamento.


Se uma determinada empresa tem problema com seus funcionários devido ao uso do WhatsApp, Instagram, idas morosas aos banheiros e bebedouros, negociações paralelas de bugigangas ou guloseimas entre os colaboradores, provavelmente a pior solução possível seja a proibição sistemática, como as empresas geralmente fazem, pois tornará o ambiente de trabalho militarizado e hostil, mas, aí sim, dar as condições para que essas

necessidades sequer venham em pauta, em primeiro lugar.


O problema numa empresa não está no Facebook, mas sim no fato do ambiente de trabalho ser tão infeliz que o Facebook é o único lugar, dentro da empresa, que a pessoa consegue respirar.


Mateus Davi Pinto Lucio

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