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  • Mateus Davi Pinto Lucio

Por que os investimentos em bancos pagam tão pouco?

Atualizado: 26 de Ago de 2018



Dentre os inúmeros descontentamentos enumeráveis dos clientes em relação aos bancos no Brasil, a opinião de que são míseros os retornos que as pessoas recebem quando

investem é largamente consolidada.


“Quando se toma empréstimo dos bancos, paga-se um absurdo, mas quando se empresta (investe) recebe-se quase nada” é uma frase que dificilmente não se ouvirá quando o

assunto é investimento. Mas a grande pergunta é: por quê?


Algumas justificativas parecem legítimas, outras, nem tanto, mas no frigir dos ovos os bancos parecem um pouco indiferentes a nossa opinião, afinal, se não investir com eles, investirá como? Acaso se embrenhará nos meandros do mercado de renda variável, onde poucos se encorajam, e, desses poucos, menos ainda têm sucesso? Eles se valem da psicologia do medo e de suas justificativas-padrão para enfiar goela abaixo uma renda fixa

qualquer que, sofrivelmente, supera a inflação, quando muito.


As justificativas


Bem certo que os bancos têm uma série de custos operacionais para manter uma carteira de investimento, fora a série de tributos diretos e indiretos, uma outra enormidade de custos fixos recai sobre a área deles destinada a esse fim, além das necessidades constantes de

suporte contábil e jurídico em tudo o que fazem.


Enfim, toda a estrutura do banco para operacionalizar investimentos sem dúvida é extremamente cara, além dos riscos associadas as suas operações em si, fora riscos tributários (mudanças intempestivas na legislação) e jurídicos (clientes sob bloqueio judicial), porém, salta aos olhos a diferença acachapante entre as taxas cobradas quando emprestam e as que repassam na forma de investimentos, mais ainda se considerarmos que os bancos podem emprestar três vezes mais do que detém em investimento e

patrimônio (alavancagem).


Fora do Brasil


Curioso que, fora do Brasil, grandes bancos de varejo e investimento com estrutura similar ou ainda maior que os bancos brasileiros, parecem assimilar todos os mesmos custos

operacionais envolvidos e trazerem retornos extremamente interessantes.


Em 2017, o fundo de mútuo Berkshire Focus, do bilionário Warren Buffet, rendeu 38,30%. O fundo Allianz GI, 35,79%, e a gigante BlackRock, no seu fundo BlackRock Science & Technology rendeu 35,66%. Isso porque foram viabilizados em dólar, insensíveis a inflação,

ou seja, em reais, os rendimentos foram ainda maiores.


Saindo dos fundos mais conservadores, a disparidade de ganhos dos que investem no Brasil para os que investem em bancos estrangeiros fica ainda mais inexplicável. O Morgan Stanley Mult Cap, que só investe em empresas de primeira linha, rendeu 33,76% no ano passado, o Virtus Small Cap 39,03%, o Neuberger Berman 44,58%, e os exemplos parecem

não ter fim.


Por que a diferença?


É sensível notar que a questão dos baixos rendimentos que se encontram nos bancos não se encerra na questão dos custos, embora no Brasil sejam muitos, mas envolve inclusive a falta de liquidez (capacidade do mercado de comprar e vender), qual impede, ainda que os bancos quisessem, realizar operações mais arrojadas no mercado financeiro, especialmente as envolvendo hedge (operação com proteção parcial ou total contra perdas através do mercado de derivativos), porém, há ainda mais um aditivo, e provavelmente o mais

importante de todos:


A completa falta de concorrência


A assustadora falta de concorrência no setor bancário, que joga os clientes entre três ou quatro players é a grande razão para que no Brasil se pague tão pouco pelo que se investe. Não há um ambiente concorrencial que favoreça e sobrepuje os melhores do setor, e os grandes bancos se sentem confortáveis cientes da falta de opção de seus clientes: “não há nada a fazer, senão investir conosco” é o que, em outras palavras, o gerente do banco te diria.


E a falta de concorrência não se dá por falta de interesse dos demais empreendedores, mas é resultado da estranguladora regulação do setor, qual impede, através de infindáveis critérios e análises, a possibilidade de uma empresa se tornar uma instituição financeira. Como ninguém consegue ser banco, como eles, eles, sendo banco, podem tratar seus

clientes a bel prazer.


O mesmo efeito é visto nas telecomunicações, dominado por duas ou três empresas de telefonia, dissonante ao que vemos nos Estado Unidos, com aproximadamente 40. É a Anatel, e não a motivação empresarial, que impede a concorrência, mutatis mutandis (mudando o que tem que ser mudado), o mesmo fenômeno acontece no setor bancário e em muitos outros setores sensíveis ao governo, como o de mineração, onde a regulação

capitula toda e qualquer vontade de empreender.


Enquanto as respostas aos problemas do relacionamento entre clientes e empresas forem mais regulação, mais leis, mais agências, o resultado será invariavelmente menos interesse do empreendedor e, portanto, menos concorrência, o que concentrará mais poder sobre poucos agentes do mesmo setor, que favorecerá todas as possíveis práticas de abusos e desmazelos com seus clientes, que são tratados como se os bancos estivessem fazendo

um favor a eles.


Mateus Davi Pinto Lucio

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